O Parque Tecnológico de Salvador
Há cinqüenta anos passados a Bahia se lançou a um ambicioso programa de industrialização. As principais etapas desse programa foram a criação do Centro Industrial de Aratu, a implantação do Pólo Petroquímico de Camaçari e o programa de estabelecimento de distritos industriais no interior do estado, notadamente em Feira de Santana. A base industrial resultante se tornou a principal geradora de empregos e de renda no estado, inclusive para a arrecadação de impostos. Em tempos recentes os principais momentos dessa industrialização foram a implantação do complexo produtivo da Ford e seus sistemistas e o estabelecimento da indústria de celulose no sul do estado.
Estas etapas resultaram de ações do Governo do Estado de planejamento econômico, investimentos em infra-estrutura, atração de empresas e estímulos ao crescimento industrial. Este cenário pode-se considerar como resultado da longa tradição na Bahia de estudos sobre planejamento econômico, iniciada por Rômulo Almeida e seus colegas, particularmente na proposta de criar uma economia no estado integrada à economia do centro-sul, diferentemente da tese de Celso Furtado que pretendia reproduzir no Nordeste o processo ocorrido em São Paulo de transferência de capitais da agricultura para a atividade industrial.
Nesta tradição, nos últimos anos o Governo do Estado compreendeu corretamente os fundamentos da nova economia de base tecnológica do século XXI. Uma economia em que o principal capital é o conhecimento tecnológico e que tem como base de geração de riqueza a produção deste conhecimento pelos centros de desenvolvimento de produtos das empresas, pelos institutos de pesquisa e pelas universidades.
Para criar então a infra-estrutura necessária a esta nova economia, o Governo tem tomado iniciativas importantes como a criação de uma Secretaria de Estado para Ciência e Tecnologia, a estruturação de uma Fundação de Apoio à Pesquisa (inclusive dotando-a de recursos substanciais permanentes) e, agora, a implantação do Parque Tecnológico de Salvador, ora sendo construído na Avenida Luiz Viana Filho, a Paralela.
É um projeto bem amadurecido, cujo plano inicial foi desenvolvido há vários anos com a colaboração da Federação das Indústrias e da nossa Universidade Salvador – a UNIFACS. A nós coube o estudo para definição dos campos prioritários de atuação do Parque, face aos interesses e à capacitação da nossa economia. As áreas escolhidas foram Energia, Biotecnologia e Tecnologias de Informação e Comunicação.
O objetivo principal é atrair laboratórios de pesquisa de empresas de base tecnológica, juntamente com laboratórios universitários, fornecendo-lhes condições adequadas para trabalhar, em termos de infra-estrutura física, e criando um ambiente propício à colaboração e sinergia entre os que se instalarem no Parque.
O ambiente já de si é favorável pela localização ecologicamente planejada em uma das áreas residuais de Mata Atlântica de Salvador. Resta agora ver se estas condições atrairão empreendimentos importantes e de alto efeito multiplicador, suficientes para criar rapidamente uma massa crítica de pesquisa para indústrias de base tecnológica.
A UNIFACS, inclusive, já vem estudando a transferência de seus laboratórios de pesquisa tecnológica para o Parque, que é o futuro da pesquisa na Bahia.
Prof. Manoel J. F. Barros Sobrinho
Reitor da UNIFACS